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domingo, 13 de junho de 2010

6ª postagem

6ª postagem

Na disciplina de artes estamos produzindo fuxicos, cuja intenção é aprimorarmos a concentração e as habilidades motoras, uma vez que a maioria dos estudantes não teve oportunidades de desenvolver estas habilidades.

Durante a realização dos fuxicos, foi contada a história, ou seja, uma das versões da origem do fuxico, que é o aproveitamento de tecidos, sendo que aqui no Brasil colônia, as mulheres (senhoras) e escravas, durante a realização dos fuxicos, aproveitavam para conversar e falar sobre vários assuntos.

Também aproveitamos o momento para, durante a realização dos fuxicos, fazer rodadas de chimarrão e conversarmos sobre diversos assuntos.

Os estudantes dessa turma não costumam faltar, principalmente nessas aulas, eles nos confessam que a escola é o melhor lugar para que eles façam algo por si próprio, sem que marido, mulher, filhos os chamassem ou interrompessem em seus afazeres, e ainda que o horário de aula é a melhor parte do dia deles.

Para confirmar o sucesso de um momento distinto destes na escola, Massagão (1997, p. 34) nos relata que:

Os produtos passiveis da educação escolar não se reduzem ao aprendizado da leitura, escrita e matemática”, mas também e principalmente a autonomia e auto-estima positiva, advinda dessa nova concepção que o aluno passa a ter dele mesmo, justamente contraria à visão que ele tinha de si mesmo : “experiências passadas de fracasso e exclusão normalmente produzem nos jovens e adultos uma auto-imagem negativa.”

5ª postagem

5ª postagem

Nesta semana o trabalho foi voltado às vitaminas, suas funções e fontes, escrevendo cada palavra e refletindo sobre a forma de como se escreve cada nome de fruta ou verdura.

A curiosidade nessas aulas ficou por conta da falta de participação, os estudantes ouviram quietos e atentos, a impressão é que as informações eram novas, apesar de conhecerem as imagens de frutas e verduras que apareciam no data show não sabiam suas funções, os comentários eram referentes ao paladar que cada alimento.

Após as orientações, a tarefa solicitada era exatamente para que os estudantes montassem uma tabela, em que cada coluna referia-se a um tipo de vitamina e que os alunos recortassem de jornais, encartes e revistas as frutas e verduras para colar em sua respectiva coluna.

A tarefa foi realizada com alguma dificuldade, pois, além de não saberem qual a vitamina existente em cada alimento e por conta disso tinha que consultar o caderno, a outra dificuldade era de procurar as informações contidas no caderno, chegando eu a conclusão de que os alunos não tinham o hábito de fazer pesquisa, além, é claro, da dificuldade, isso de alguns alunos, de ler, haja vista que todos os alunos conhecem as letras, alguns conseguem ler e outros ainda não conseguem formar palavras.

Ma a idéia principal nesta atividade era exatamente propor uma atividade nova, diferente das que os estudantes vinham sendo submetidos:

Que a educação seja um processo através do qual o indivíduo toma a história em suas próprias mãos, a fim de mudar o rumo da mesma. Como? Acreditando no educando, na sua capacidade de aprender, descobrir, criar soluções, desafiar, enfrentar, propor, escolher e assumir as conseqüências de sua escolha. Mas isso não será possível se continuarmos bitolando os alfabetizandos com desenhos pré-formulados para colorir, com textos criados por outros para copia-rem, com caminhos pontilhados para seguir, com histórias que alienam, com métodos que não levam em conta a lógica de quem aprende. (FUCK, 1994, p. 14 e 15)

Ao final da tarefa, os estudantes olhavam com admiração o cartaz produzido por eles.

domingo, 9 de maio de 2010

4ª postagem

Nesta semana do dia 26 de abril e 3 de maio, nosso trabalho foi voltado aos tipos de alimentação, as vitaminas e suas fontes, com direito a palestra com nutricionista do município.

O trabalho foi gratificante e bem participativo, afinal, como diz Paulo Freire “Cada homem esta situado no espaço e no tempo, no sentido em que vive numa época precisa, num lugar preciso, num contexto social e cultural preciso...” e no momento atual, o problema que aflige a sociedade é a escassez de nutrientes nos pratos dos brasileiros, na maioria das situações por falta de orientação.

Durante a realização deste trabalho, citando as letras das vitaminas, as fotos dos alimentos que continham as vitaminas e conseqüentemente, os nomes das frutas, verduras, carnes e bebidas, fizemos tabelas contendo colunas e cada coluna representava um tipo de vitamina e os próprios alunos colavam seus respectivos alimentos tirados de encartes de supermercados e jornais.

Aproveitando os encartes com as fotos dos alimentos, pedimos aos alunos recortes de alimentos específicos com seus valores, aproveitando para fazermos contas, pois “todas as práticas de letramento são aspectos não apenas da cultura, mas também das estruturas de poder numa sociedade.” (Kleiman 2001, p. 38), sendo assim, vinculamos linguagem a realidade (Freire, 1983).

quarta-feira, 21 de abril de 2010

3ª postagem

Nesta semana fui criticada ao falar que os alunos trabalharam os símbolos da páscoa com a professora titular, isso aconteceu uma semana antes que eu iniciasse o estágio: “Símbolo de Páscoa para pessoas adultas???????????????”. Percebi a preocupação da crítica e tenho tomado cuidado para não infantilizar as aulas. No entanto, na semana seguinte, quando comecei a freqüentar as aulas um aluno, que não sabia a diferença das letras, me disse que já conhecia três letras, o “O” de ovo, o “P” de páscoa e o “C” de coelho. Ao ouvir o relato fiquei comovida, pois, até então, ele não conhecia nenhuma letra.

Paulo Freire em Pedagogia do Oprimido relata que devemos usar uma metodologia pautada no universo do educando “o pensar dos homens referido à realidade, seu atuar, sua práxis”, ou seja, naquele momento a mídia, seus filhos, todos comentando sobre o evento “Páscoa”, falando sobre o significado, foi então que a professora começou a mostrar-lhes cada palavra referente ao símbolo, já que era o assunto do momento.

Ainda citando Paulo Freire “A educação como prática de liberdade, ao contrário daquela que é prática de dominação, implica na negação do homem abstrato, isolado, solto, desligado no mundo, assim também na negação do mundo como uma realidade ausente nos homens.” (Paulo Freire, Educação como prática da liberdade). Se for para trabalhar com palavras referentes ao seu dia-a-dia, porque não a Páscoa? Claro que devemos colocar o problema do consumismo que ocorre nestas datas comemorativas, claro que foi falado e dialogado, cada um colocou seu ponto de vista sobre o que é consumismo, mais como futura pedagoga não vejo mal algum em orienta-los a escrever qualquer palavra que seja que esteja inserido em seu contexto social e a Páscoa faz parte neste contexto, assim como a semana do Kerb que estamos comemorando neste exato momento e nesta semana trabalhamos sobre a sua origem, os alimentos típicos da colonização alemã, as festas, enfim, são itens que fazem parte da vida destes alunos.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

2ª postagem

Trabalhar alfabetizando adultos não é tarefa fácil, não posso comparar com alfabetização de crianças, mais ao mesmo tempo em que não é fácil também é gratificante.

Difícil, pois eles vêm já com uma bagagem grande de rejeições de uma vida, do preconceito vivido, das negações que a sociedade lhes impuseram por não saber ler e escrever e tudo isso gera uma ansiedade por aprender o mais breve possível, a dominar a arte de ler e escrever e mais do que isso, passar a ver o mundo com outros olhos, Fernando Pessoa diz que “não basta não ser cego pra ver as árvores e as cores, há pessoas que têm vistas excelentes e não percebem nada. É preciso ensinar os nossos alunos a enxergar o mundo.”

Durante estes vinte anos que leciono nunca tive tanta certeza do que disse Rubem Alves que ser professor é profissão, ser educador é vocação. Sempre tive certeza que tenho vocação, mais não para alfabetizar, mais para transmitir conhecimento, passar informações, fazer questionamentos e faze-los pensar, raciocinar para não aceitar tudo o que ouvem, para questionar, sempre se baseando em fatos.

domingo, 11 de abril de 2010

1º postagem

Minha primeira reação ao saber que faria estágio com uma turma de alfabetização da E.J.A. foi sair correndo da escola, o que de fato ocorreu.

Percebendo que não haveria outra forma de estagiar, voltei conversei com a orientadora da escola, também conversei com a professora Jaqueline e menos nervosa dessas conversas.

Comecei a ler e reler textos sobre alfabetização de adultos quando, no texto de Giroux ele chama a alfabetização de “problema” e, de fato a alfabetização de adultos é mais do que um problema da alfabetização em si é um problema cultural, político e social, afinal de contas, um adulto que não sabe diferenciar uma letra da outra e ao vê-las não passa de um desenho, este adulto é cego diante de uma sociedade letrada, em que tudo gira em torno da leitura e da escrita.

Uma semana antes de iniciar o estágio, comecei, com licença da orientadora e da professora titular, a freqüentar as aulas para melhor conhecer os alunos, a percepção inicial é de que eles sentem necessidade de provar algo para alguém, que pode ser seus familiares, com discursos: “Vou provar a eles que eu consigo”. “Eles vão ver que sou capaz”. “Vou ler pra todos ouvirem”, enfim, como dizia Gramsci que as pessoas deveriam lutar pela educação e é essa a impressão que tive dessas pessoas, elas estão lutando por seu lugar na sociedade.

Referência:

Antonio Gramsci, citado por James Donald, "Language, Literacy, and Schooling", in The State and Popular Culture (Milton Keynes: Open University, U203 Popular Culture Unit, 1982), p. 44. Com referência às observações de Gramsci sobre a linguagem, ver Antonio Gramsci, The Modern Prince and Other Writings, trad. de Louis Marks (Nova York, New World Paperbacks, 1957), passim; Selections from the Prison Notebooks, org. Q. Hoare e G. Nowell Smith (Nova York, International Publishers, 1971); e Lettersfrom Prison (Londres, Jonathan Cape, 1975).

Para uma discussão crítica das teorias de reprodução e resistência, ver Henry A. Giroux, Theory and Resistance in Education; ver também J. C. Walker, "Romanticising Resistance, Romanticising Culture: Problems in Willis's Theory of Cultural Production", British Journal of Sociology of Education, 7: 1 (1986), pp. 59-80.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

recuperação

Desde o início do curso aprendi a importância do uso das mídias na escola, desde então utilizo blog, pbworks e até orkut para me comunicar com os alunos e passar algumas instruções e trabalhos para quem tenham acesso em casa, além de postar trabalhos e até fotos dos próprios estudantes trabalhando, dos estudantes que tenho autorização dos pais. Consigo entender, agora, a importância de estarmos atualizados quanto ao uso das mídias, para tanto oriento-os a entrarem em sites, de acordo com o tema em questão, e fazerem suas observações e procurarem outros sites, senso assim, a aula flui pois cada um encontrou uma informação e as perguntas surgem pois isso instiga a curiosidade dos estudantes.