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quarta-feira, 14 de abril de 2010

2ª postagem

Trabalhar alfabetizando adultos não é tarefa fácil, não posso comparar com alfabetização de crianças, mais ao mesmo tempo em que não é fácil também é gratificante.

Difícil, pois eles vêm já com uma bagagem grande de rejeições de uma vida, do preconceito vivido, das negações que a sociedade lhes impuseram por não saber ler e escrever e tudo isso gera uma ansiedade por aprender o mais breve possível, a dominar a arte de ler e escrever e mais do que isso, passar a ver o mundo com outros olhos, Fernando Pessoa diz que “não basta não ser cego pra ver as árvores e as cores, há pessoas que têm vistas excelentes e não percebem nada. É preciso ensinar os nossos alunos a enxergar o mundo.”

Durante estes vinte anos que leciono nunca tive tanta certeza do que disse Rubem Alves que ser professor é profissão, ser educador é vocação. Sempre tive certeza que tenho vocação, mais não para alfabetizar, mais para transmitir conhecimento, passar informações, fazer questionamentos e faze-los pensar, raciocinar para não aceitar tudo o que ouvem, para questionar, sempre se baseando em fatos.

domingo, 11 de abril de 2010

1º postagem

Minha primeira reação ao saber que faria estágio com uma turma de alfabetização da E.J.A. foi sair correndo da escola, o que de fato ocorreu.

Percebendo que não haveria outra forma de estagiar, voltei conversei com a orientadora da escola, também conversei com a professora Jaqueline e menos nervosa dessas conversas.

Comecei a ler e reler textos sobre alfabetização de adultos quando, no texto de Giroux ele chama a alfabetização de “problema” e, de fato a alfabetização de adultos é mais do que um problema da alfabetização em si é um problema cultural, político e social, afinal de contas, um adulto que não sabe diferenciar uma letra da outra e ao vê-las não passa de um desenho, este adulto é cego diante de uma sociedade letrada, em que tudo gira em torno da leitura e da escrita.

Uma semana antes de iniciar o estágio, comecei, com licença da orientadora e da professora titular, a freqüentar as aulas para melhor conhecer os alunos, a percepção inicial é de que eles sentem necessidade de provar algo para alguém, que pode ser seus familiares, com discursos: “Vou provar a eles que eu consigo”. “Eles vão ver que sou capaz”. “Vou ler pra todos ouvirem”, enfim, como dizia Gramsci que as pessoas deveriam lutar pela educação e é essa a impressão que tive dessas pessoas, elas estão lutando por seu lugar na sociedade.

Referência:

Antonio Gramsci, citado por James Donald, "Language, Literacy, and Schooling", in The State and Popular Culture (Milton Keynes: Open University, U203 Popular Culture Unit, 1982), p. 44. Com referência às observações de Gramsci sobre a linguagem, ver Antonio Gramsci, The Modern Prince and Other Writings, trad. de Louis Marks (Nova York, New World Paperbacks, 1957), passim; Selections from the Prison Notebooks, org. Q. Hoare e G. Nowell Smith (Nova York, International Publishers, 1971); e Lettersfrom Prison (Londres, Jonathan Cape, 1975).

Para uma discussão crítica das teorias de reprodução e resistência, ver Henry A. Giroux, Theory and Resistance in Education; ver também J. C. Walker, "Romanticising Resistance, Romanticising Culture: Problems in Willis's Theory of Cultural Production", British Journal of Sociology of Education, 7: 1 (1986), pp. 59-80.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

recuperação

Desde o início do curso aprendi a importância do uso das mídias na escola, desde então utilizo blog, pbworks e até orkut para me comunicar com os alunos e passar algumas instruções e trabalhos para quem tenham acesso em casa, além de postar trabalhos e até fotos dos próprios estudantes trabalhando, dos estudantes que tenho autorização dos pais. Consigo entender, agora, a importância de estarmos atualizados quanto ao uso das mídias, para tanto oriento-os a entrarem em sites, de acordo com o tema em questão, e fazerem suas observações e procurarem outros sites, senso assim, a aula flui pois cada um encontrou uma informação e as perguntas surgem pois isso instiga a curiosidade dos estudantes.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

recuperação

Os textos lidos, no decorrer no semestre, e posso dizer, no decorrer do curso, nos ajuda a entender as mudanças que estão ocorrendo nos processos de ensino-aprendizagem, uma vez que não podemos agir da mesma forma como nossos professores agiam conosco. Os tempos são outros, as crianças se despertam para novidades e essas novidades daqui a pouco tempo não serão mais novidades, quero dizer, de a escola não se atualiza constantemente os alunos perdem o interesse por ela, interesse esse que entrou na escola com ela. Hoje sabemos que existem diferentes formas de ensinar, seja através da música, do teatro, da dança, de desenhos, de contos, enfim, podemos explorar o que quisermos desde que o aluno interaja usando a “ferramenta” que melhor se adapte a ele.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

recuperação do Seminário Integrador

Estou convencida de que realizar um PA com os alunos é uma proposta inovadora e desafiadora, porem de grande valia para os interessados, os alunos.
Porém, deve ser bem elaborado, bem planejado e, se assim for, despertará a investigação e o processo de pesquisa dos alunos, uma vez que irão pesquisar sobre o assunto que escolheram, que tem mais afinidade. Penso também que devemos dar opções para estas pesquisas, ou seja, encaminharmos os questionamentos, caso contrário o aluno só irá em busca do que gosta e, estando vivendo em um período de globalização, precisamos instiga-los a ir além do que vêem, do que vivem, sair um pouco de seu dia-a-dia e entrar em outros “mundos”, ampliar seus horizontes. Por tanto afirmo que, dependendo da série e da disciplina ministrada podemos direcionar o aprendizado dos alunos.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

recuperação

O convívio com pessoas surdas é muito interessante, já tive oportunidade de conviver com algumas dessas pessoas e o que eles nos passam é uma riqueza de conhecimento extraordinária, exatamente por sermos preconceituosos e pensarmos que lhes falta capacidade para observar determinados fatos e é exatamente o contrário, é pela observação, que em muito momento nos falta, por confiarmos em demasia em nossa audição, que eles captam qualquer movimento, qualquer expressão, enfim, subestimamos as pessoas surda e só o convívio que nos mostra o contrário.
Passei a acreditar que a surdez não se restringe a uma deficiência e sim a um estilo de vida, embora não seja uma opção ser surdo, quem o é tem orgulho de ser.
Conhecendo um pouco dessa cultura, a cultura surda, acredito que ela deva ser estendida, divulgada para que mais pessoas possam deixar, ainda nos dias de hoje, o preconceito de lado, pois faz parte de nossa identidade cultural e de grande valia para as futuras gerações, sendo assim essa nova geração não cometerá os mesmos erros que cometemos em nosso passado, erros grotescos, preconceituosos, descabidos, enfim, nós eu nos julgamos tão inteligentes somos incapazes de conviver com os surdos, enquanto os surdos vivem com os ouvintes sem medo, compreendendo nossa incapacidade de aceitação.
Falta-nos vontade política para fazermos valer as leis, e uma delas é que diz que todos temos direito a educação, as leis de inclusão, como será recebermos um aluno surdo em uma sala de aula com quarenta ouvintes, com um professor que não conseguirá transmitir as orientações ao aluno surdo? Esse aluno terá dificuldades de adaptação, mais com certeza irá, dentro de suas possibilidades, acompanhar a turma, só nos resta saber se o professor irá considerar o fato dele ser surdo e não ter o mesmo rendimento esperado da turma.

recuperação

Durante a realização dos trabalhos da EJA, percebi na dialética dos autores lidos durante a realização dos trabalhos que a alfabetização é uma prática social, ou seja, além de ensinar as pessoas a ler e a escrever, temos a tarefa, de suma importância, de despertarmos o poder político e cultural através da linguagem. Sempre realizei essa tarefa em sala de aula, mais não de forma clara e objetiva como colocada nos textos.
Praticar a licenciatura para uma construção social tem sido o objetivo desde o início das leituras, indagar aos alunos sobre seu poder de decisão político e social, praticar a cidadania, a solidariedade, tudo isso sem sair dos textos propostos para as aulas, senso assim continuo dando as aulas de ciências para as sextas e sétimas séries sem perder o foco dos temas. É bom que se diga que os textos lidos dão referências ao EJA, como não leciono para a EJA, transportei-os para a minha realidade.
Quanto ao EJA, a situação é assustadora e alarmante, com a saída de campo para desenvolver o trabalho, decidimos entrevistar os professores e ai começa o problema, muitos professores não querem participar de pesquisa, talvez por medo de não saber responder a determinadas questões? Ou por relatar a verdade e esta nem sempre é satisfatória ou os delata como profissionais da área? O discurso é um e a prática é outra? Enfim, são várias as indagações, que não cabe a nós responder e não é o objetivo deste texto.
Ao conseguirmos as respostas para nossas perguntas eis as contradições, que, de certa forma já nos era esperada, a lei nos diz que a educação é um direito de todos, mais o que nos apresentam alguns professores é que alunos currículo normal que são repetentes ou indisciplinados são mandados à EJA, faltando vagas para quem, de fato, quer estudar ou precisa da escola por algum motivo relevante.
Outra contradição é o fato dos professores trabalharem de forma diferenciada para cativar os alunos, usando métodos e formas distintas de trabalho, que nem sempre se usa o caderno, ou fica na sala de aula, e os alunos de mais idade não aceitam por dizerem que esta forma de dar aula é “enrolação”, o que eles querem é estar na sala de aula copiando textos e ouvindo o professor falar.
Outro fato bastante relevante é a falta de preparo de alguns professores para o trato com os alunos da EJA, usam o mesmo plano de aula do ensino comum, as mesmas formas de trato com crianças, não levando em consideração que são adultos, que trabalham, alguns que constituíram família e que seus interesses são outros.